30.jul.2026
A música tem o poder de criar pontes onde as palavras, às vezes, não alcançam. Para famílias atípicas, ela pode ser muito mais do que entretenimento: ferramenta de amor, organização e regulação no dia a dia. Sabemos que a rotina pode ser desafiadora, cheia de transições difíceis e momentos de agitação. Por isso, trouxemos algumas estratégias simples de musicoterapia que você pode aplicar em casa, sem precisar ser músico ou ter instrumentos caros. O objetivo aqui é a conexão e o bem-estar de vocês. Confira 5 formas de usar a música a seu favor:
Músicas de Transição ou de Rotina:
O objetivo principal dessa estratégia é usar a música como um sinal claro, reconfortante e divertido para indicar que uma atividade está terminando e outra vai começar. Isso minimiza a resistência e a ansiedade que muitas crianças autistas sentem durante as mudanças.
Como fazer: Crie pequenas canções simples (com 2 a 4 frases) para marcar transições ou eventos diários. Comece a cantar a música assim que a criança precisar iniciar a transição e continue até que a tarefa esteja completa. Pode-se associar a música a um chocalho ou um sino que só aparece na hora daquela transição. O som do instrumento se torna o “sinal”.
Guardar Brinquedos: “Acabou a brincadeira, vamos guardar. Na caixa os brinquedos vão descansar.”
Hora do Banho: “Água quentinha vai nos lavar. Hora do banho, vamos entrar.”
Hora de Dormir: “O dia acabou, a luz vai se apagar. O soninho chegou, vamos descansar.”
O Jogo do Eco Rítmico:
Esta é uma atividade de improvisação projetada para desenvolver habilidades de imitação, atenção conjunta e interação social de uma forma não-verbal e de baixa pressão.
Como fazer: Use instrumentos simples (maracas, tambor) ou o corpo (bater palmas). A mãe faz um ritmo curto, e a criança tenta imitar (fazer um “eco”). Depois, troquem os papéis. Use a voz para ecoar sons, sílabas ou melodias simples. Cantar uma pequena canção e fazer os movimentos solicitados como bater palmas sozinho, bater palmas com o outro, bater na perna e em outras partes do corpo.
Canções de Nomeação e Identificação:
É uma poderosa ferramenta de musicoterapia para o desenvolvimento da linguagem receptiva e expressiva, além de facilitar a consciência corporal e a identificação de emoções.
Música de Partes do Corpo: Cante uma canção simples enquanto toca ou aponta para as partes do corpo da criança ou dela mesma (ex: “Minha cabeça, meu joelho…”).
Música de Objetos: Cante o nome de um objeto quando o entregar à criança (ex: “Aqui está o carrinho, carrinho, carrinho…”).
Música para Regulação Emocional:
O objetivo é usar as características do som (ritmo, volume, melodia, timbre) para modular o sistema nervoso da criança, seja para acalmar um estado de agitação (desacelerar) ou para estimular e motivar (energizar).
Músicas Calmas para Desacelerar: Quando a criança estiver agitada, toque ou cante músicas lentas, suaves e em volume baixo. Muitas vezes, um ritmo constante, como o de uma canção de ninar, pode ser muito eficaz. Instrumentos suaves (violão, harpa, piano suave) ou a voz materna cantando de forma doce.
Músicas Animadas para Energizar: Use músicas com ritmo mais rápido e marcante para momentos de brincadeira ou quando precisar motivar a criança para uma atividade. Ritmo mais rápido, com marcação forte e clara (como marchas ou música pop leve). Volume médio a médio-alto (mas sempre confortável e não estridente). Sons de percussão, instrumentos de sopro ou guitarra que criam uma sensação de movimento.
Uso de Instrumentos Simples:
Não é preciso ter instrumentos caros. Você pode usar itens de casa ou instrumentos de percussão simples.
Exemplos Caseiros: Potes de plástico virados (tambores); Potes com arroz, feijão ou macarrão bem vedados (chocalhos/maracas). Colheres de pau; Pedaços de PVC; Tampas de panelas. Chaves penduradas juntas; Tampinhas de garrafa amarradas em um arame.
Exemplos Simples (Comprados): Maracas; Ovos de shaker; Castanholas. Tambores de brinquedo; Xilofones (diatônicos, com poucas notas); Blocos de ritmo. Triângulo; Sinos de pulso ou tornozelo.
Como fazer: Deixe a criança explorar os instrumentos livremente e, em seguida, comece a tocar junto com ela, sincronizando-se com o ritmo que ela está fazendo.


