Nem todo dia é fácil — e tudo bem. Para pais de crianças neurodivergentes, os desafios podem ser intensos, inesperados e, às vezes, parecem solitários. Mas você não está sozinho! Aqui vão algumas reflexões e estratégias para atravessar esses momentos com mais leveza e compaixão.

Reconheça seus sentimentos

Você tem o direito de se sentir cansado, frustrado ou sobrecarregado. Validar suas emoções é o primeiro passo para cuidar de si. Ignorar o que você sente não torna o dia mais fácil, mas acolher seus sentimentos pode abrir espaço para mais clareza e calma.

Pratique o autocuidado possível

Nem sempre dá para tirar uma hora para si, mas pequenos gestos contam:

  • Respirar fundo por 30 segundos
  • Tomar um café em silêncio
  • Expressar os sentimentos com arte ou escrita
  • Pedir ajuda sem culpa

Se possível, busque também apoio profissional. Cuidar de você é parte essencial do cuidado com seu filho. Lembre-se: autocuidado não é luxo, é sobrevivência emocional.

Conecte-se com outras famílias

Conversar com quem vive realidades parecidas pode aliviar o peso. Grupos de apoio, redes sociais ou até uma troca rápida com outro cuidador podem trazer acolhimento e novas perspectivas.

Relembre: seu filho não é o problema

Em dias difíceis, é fácil confundir comportamentos desafiadores com intenções negativas. Mas crianças neurodivergentes estão lidando com um mundo que nem sempre foi feito para elas. Repetir para si mesmo: “meu filho está tendo um momento difícil, não sendo difícil” pode mudar tudo.

Conecte-se com seu corpo

Movimento e natureza ajudam na regulação emocional. Mesmo com a rotina corrida, tente se alongar por alguns minutos, tomar sol ou caminhar até algum compromisso. Pequenos gestos podem trazer grandes alívios.

Seja gentil consigo mesmo

Você está fazendo o melhor que pode com os recursos que tem. E isso já é muito. Dias difíceis passam. E você, mesmo nos tropeços, continua sendo a base segura que seu filho precisa.

Um estudo publicado em 28.ago.2025 na revista Nature Human Behaviour concluiu que não há evidência científica de alta qualidade que comprove a eficácia de terapias alternativas e complementares para o autismo. A pesquisa analisou 248 meta-análises que reuniram centenas de ensaios clínicos e alerta para a necessidade de cautela no uso dessas práticas.

Conduzida por pesquisadores das universidades de Paris Nanterre, Paris Cité (ambas da França) e Southampton (do Reino Unido), a revisão englobou mais de 200 ensaios clínicos com a participação de 10 mil pessoas autistas. Foram avaliados 19 tipos de intervenções — de musicoterapia a probióticos, passando por dietas específicas, acupuntura e melatonina (veja a lista completa ao final desta reportagem). Embora algumas práticas tenham mostrado resultados promissores, todas se apoiam em evidências de baixa ou muito baixa qualidade.

Leia mais: Estudo aponta falta de evidência científica robusta em terapias alternativas para autismo

Adesão elevada

Segundo os autores, a popularidade dessas práticas se explica por fatores como valores pessoais, dificuldades de acesso a intervenções convencionais e percepção de ineficácia de tratamentos tradicionais. Estima-se que até 90% das pessoas autistas já tenham recorrido a alguma forma de medicina complementar ao longo da vida. Contudo, os pesquisadores ressaltam que menos da metade das terapias alternativas analisadas teve a segurança avaliada em ensaios clínicos, o que gera preocupação em saúde pública.

Para o professor Richard Delorme, da Universidade Paris Cité, a principal mensagem é a necessidade de cuidado: “Muitos pais de crianças autistas, bem como adultos autistas, recorrem a essas terapias esperando benefícios sem efeitos colaterais. No entanto, é fundamental considerar evidências de ensaios clínicos rigorosos antes de concluir que esses tratamentos devam ser utilizados”, alertou.

O trabalho também chama atenção para lacunas importantes. Intervenções que chegaram a apresentar efeitos positivos em sintomas específicos, como melhora do sono ou redução de comportamentos repetitivos, não tinham suporte de estudos suficientemente robustos. Além disso, faltam pesquisas que avaliem de forma sistemática a segurança e os possíveis efeitos adversos dessas práticas.

Para tornar os resultados acessíveis a famílias, profissionais e autistas, o grupo criou uma plataforma interativa, chamada EBIA-CT Database, que permite consultar a qualidade da evidência de cada intervenção de forma prática e atualizada. O recurso gratuito pode apoiar decisões compartilhadas e mais seguras, aproximando a ciência do dia a dia das pessoas.

O estudo completo está disponível neste link, da Nature. A plataforma EBIA-CT Database pode ser acessada em: ebiact-database.com.

Podcast explicativo

Fizermos um podcast, gerado por inteligência artificial, para explicar o estudo. Ouça a seguir, a duração é de 9min13s.

Podcast explicativo: Podcast: Estudo aponta falta de evidência científica robusta em terapias alternativas para autismo — Tismoo

Tratamentos analisados pelo estudo

  • Acupuntura
  • Atividade física
  • Fitoterapia (ervas medicinais)
  • Integração sensorial
  • L-Carnosina
  • L-Carnitina
  • Melatonina
  • Musicoterapia
  • N-acetilcisteína
  • Oxitocina
  • Probióticos
  • Secretina
  • Suplementação de vitamina D
  • Sulforafano
  • Ácidos graxos poli-insaturados (como ômega-3)
  • Dietas específicas
  • Intervenções assistidas por animais
  • Estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS)
  • Estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS)

A ansiedade é uma emoção comum. Todos nós sentimos preocupação ou tensão em algum momento. Mas, para muitas pessoas autistas, essa sensação pode ser mais intensa, frequente e difícil de controlar.

Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a ansiedade é uma antecipação de algo ruim que pode acontecer, mesmo que essa ameaça não seja real. Ela se torna um transtorno quando é muito forte, dura por muito tempo e atrapalha a vida da pessoa, seja nos estudos, no trabalho ou nas relações sociais.

Como a ansiedade se manifesta

Os sinais de ansiedade podem variar, mas alguns dos mais comuns incluem:

  • Preocupações constantes com várias situações (escola, saúde, rotina)
  • Dificuldade em “desligar” os pensamentos
  • Sensação de estar sempre alerta ou nervoso
  • Cansaço frequente
  • Dificuldade de concentração ou “apagões” mentais
  • Irritabilidade
  • Tensão muscular
  • Problemas para dormir ou sono agitado

Ansiedade e autismo: por que é tão comum?

A ansiedade é uma das comorbidades mais frequentes em pessoas autistas, especialmente em crianças e adolescentes. Estudos mostram que entre 16% e 40% dos jovens com autismo apresentam algum tipo de transtorno de ansiedade.

Ela costuma ser mais comum em pessoas autistas que têm boa capacidade verbal e maior consciência do ambiente, o que pode tornar os desafios sociais e emocionais ainda mais intensos.

Alguns fatores que contribuem para isso:

  • Sobrecarga sensorial: sons altos, luzes fortes ou ambientes caóticos podem gerar muito desconforto.
  • Mudanças na rotina: mesmo pequenas alterações podem causar insegurança.
  • Exigências sociais: lidar com regras sociais, resolver problemas inesperados ou se expressar em público pode ser muito difícil.
  • Fases da vida: na pré-adolescência e adolescência, as cobranças sociais aumentam, e isso pode intensificar os sintomas ansiosos.

Estratégias que ajudam a lidar com a ansiedade

Existem formas práticas e acolhedoras de ajudar uma pessoa autista a lidar com a ansiedade. Aqui vão algumas sugestões:

  • Rotina previsível: usar agendas visuais ou quadros com horários ajuda a dar segurança. Se algo for mudar, avise com antecedência.
  • Ambiente sensorial adaptado: crie um espaço tranquilo em casa com luz suave, fones de ouvido, objetos táteis (como massinhas ou fidget toys).
  • Técnicas de autorregulação: respiração profunda, alongamentos, meditação guiada ou simplesmente ficar em silêncio por alguns minutos.
  • Atividades de interesse especial: desenhar, ouvir música, colecionar objetos ou jogar, tudo que traz prazer e conforto.
  • Cuidados com o sono: manter horários regulares e evitar estímulos fortes antes de dormir.
  • Apoio profissional: psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras podem ajudar com estratégias específicas e, se necessário, medicação.

A ansiedade no autismo não é sinal de fraqueza, é uma resposta natural a um mundo que muitas vezes parece imprevisível e intenso. Com acolhimento, compreensão e estratégias adequadas, é possível viver com mais leveza e segurança.

Se você é autista ou cuida de alguém que é, lembre-se: buscar ajuda é um ato de coragem. E você não está sozinho nessa jornada.

Desafios emocionais no cuidado de crianças com TEA

Cuidar de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve uma série de desafios emocionais que, muitas vezes, geram estresse, ansiedade e até sentimentos de culpa ou frustração nos pais. O apoio psicológico é  uma necessidade fundamental. Ele oferece um espaço seguro para expressar sentimentos, processar informações complexas, desenvolver estratégias de enfrentamento e, acima de tudo, cuidar da própria saúde mental, que é essencial para o bem-estar de toda a família.

O papel fundamental da terapia para os pais

Pais que recebem acompanhamento psicológico tendem a se sentir mais preparados e confiantes para enfrentar os desafios da rotina com mais equilíbrio. 

Através da terapia, os pais podem aprender a gerenciar o estresse, aprimorar a comunicação intrafamiliar, desenvolver resiliência. Além disso, o acompanhamento psicológico auxilia na validação de sentimentos, na redução da culpa e na construção de uma visão mais positiva e capacitada. 

Assim como a criança precisa de intervenções contínuas para progredir, os pais também precisam de um espaço seguro para cuidar da própria saúde mental. 

Acesso ao apoio psicológico: alternativas viáveis

Mesmo para quem não tem acesso a plano de saúde, existem caminhos acessíveis para buscar esse tipo de apoio. Clínicas-escola de universidades que oferecem cursos de psicologia costumam disponibilizar atendimentos gratuitos ou com valores simbólicos. Além disso, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do SUS oferecem acompanhamento psicológico para famílias em diversas regiões. ONGs, associações de autismo e projetos sociais também organizam grupos de apoio e orientação, oferecendo acolhimento e informação de forma acessível.

Cuidar da saúde mental dos pais é tão importante quanto garantir os cuidados adequados para a criança com TEA. Apoiar quem cuida é fortalecer toda a família! 

O colesterol é um tipo de gordura naturalmente presente em todas as células do corpo. Ele é essencial para a produção de hormônios, vitamina D e para a formação das membranas celulares. Porém, quando está em níveis elevados, especialmente o colesterol LDL (conhecido como “ruim”), pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e aterosclerose.

Existem dois tipos principais de colesterol: o HDL (High Density Lipoprotein), conhecido como “colesterol bom”, que ajuda a remover o excesso de gordura das artérias; e o LDL (Low Density Lipoprotein), o “colesterol ruim”, que pode se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos e provocar entupimentos.

O que causa o aumento do colesterol?

O aumento do colesterol no sangue, chamado de dislipidemia ou hipercolesterolemia, geralmente não apresenta sintomas visíveis e só pode ser detectado por meio de exames laboratoriais.

As principais causas incluem:

  • Má alimentação (rica em gorduras saturadas e trans);
  • Sedentarismo;
  • Excesso de peso;
  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Hereditariedade (histórico familiar);
  • Doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial;
  • Uso de certos medicamentos.

Além disso, fatores como estresse, envelhecimento e menopausa em mulheres também podem contribuir para o aumento do “colesterol ruim”.

Como o colesterol afeta pessoas com autismo?

Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ter um risco maior de desenvolver alterações no colesterol devido a algumas particularidades:

  • Seletividade alimentar: indivíduos com TEA muitas vezes apresentam aversão a certos alimentos por causa da textura, cor ou sabor. Isso pode resultar em uma dieta restrita e pobre em nutrientes, com maior consumo de alimentos industrializados e processados.
  • Uso de medicamentos: alguns fármacos utilizados no tratamento de sintomas comportamentais do autismo, como antipsicóticos, podem alterar o metabolismo e contribuir para o aumento do colesterol e dos triglicerídeos.
  • Condições genéticas associadas: algumas síndromes relacionadas ao autismo, como a Síndrome de Rett, podem interferir no metabolismo lipídico e favorecer a elevação do colesterol.
  • Estilo de vida sedentário: a falta de atividades físicas regulares, comum em alguns casos, também pode ser um fator de risco para dislipidemias.

Esses aspectos tornam ainda mais importante o acompanhamento médico e nutricional regular da pessoa autista.

Como prevenir o colesterol alto em pessoas com autismo?

A prevenção do colesterol alto exige um conjunto de cuidados diários e uma abordagem individualizada, especialmente quando se trata de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). É fundamental respeitar as preferências sensoriais e as necessidades específicas de cada indivíduo, promovendo hábitos saudáveis de forma gradual e adaptada à sua realidade.

Manter uma alimentação equilibrada é uma das estratégias mais eficazes na prevenção e controle do colesterol. Deve-se incentivar o consumo diário de frutas, verduras e legumes variados, que são ricos em fibras, vitaminas e minerais essenciais ao bom funcionamento do organismo. Além disso, é importante incluir grãos integrais, como arroz integral, aveia, milho e pães feitos com farinha integral, que ajudam a regular os níveis de gordura no sangue.

As carnes magras, como frango sem pele e cortes magros de boi ou porco, devem ser priorizadas. Também é altamente recomendado o consumo frequente de peixes ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, atum e cavalinha, pois esses alimentos contribuem para a proteção cardiovascular e ajudam na redução do “colesterol ruim” (LDL).

No preparo das refeições, deve-se dar preferência ao uso de azeite de oliva extra virgem e outros óleos vegetais saudáveis, como o óleo de canola, que são fontes de gorduras boas. Por outro lado, é essencial evitar alimentos que favorecem o aumento do colesterol, como embutidos (presunto, mortadela, salame, salsicha), frituras, doces com gordura hidrogenada (como bolos recheados e sobremesas industrializadas) e bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos artificiais.

Para pessoas com TEA que apresentam seletividade alimentar ou aversão a certas texturas e sabores, é possível adaptar a apresentação dos alimentos de forma criativa e lúdica. Uma alternativa eficaz é preparar vegetais e frutas em formatos mais atrativos, como chips assados de batata-doce, maçã ou banana com canela. Essas estratégias podem aumentar a aceitação alimentar e tornar as refeições mais agradáveis, contribuindo diretamente para uma dieta mais saudável e variada.

Referências

O tratamento farmacológico no Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem como objetivo o controle de sintomas associados e comorbidades frequentes, como irritabilidade, ansiedade, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), distúrbios do sono, comportamentos estereotipados e alterações de humor. É fundamental destacar que não existe uma medicação específica para “curar o autismo”, mas sim para melhorar a qualidade de vida da pessoa autista por meio do manejo adequado dos sintomas.

A eficácia do tratamento está diretamente relacionada à adesão correta à prescrição médica. Entretanto, para que esses medicamentos tenham o efeito esperado, é fundamental que sejam administrados corretamente, o que envolve mais do que apenas seguir a prescrição: trata-se de um conjunto de cuidados que garante a eficácia do tratamento e a segurança do paciente.

A seguir, destacam-se recomendações essenciais para o uso seguro e eficaz da medicação no TEA:

  • Respeite rigorosamente o horário, a dose e a posologia indicados na receita médica. Tomar o medicamento fora do horário ou em quantidade diferente pode comprometer os resultados terapêuticos e aumentar o risco de efeitos adversos.
  • Estabeleça uma rotina para a administração da medicação, sempre que possível em horários fixos e, preferencialmente, após as refeições — salvo recomendação médica diferente.
  • Evite administrar a medicação com sucos ou refrigerantes, pois podem causar reações químicas ou reduzir a eficácia do fármaco. Use apenas a quantidade mínima de água necessária para a ingestão.
  • Mantenha os medicamentos em sua embalagem original (blister). O contato com ar, umidade e luz pode alterar a composição da substância e comprometer sua ação.
  • Armazene os medicamentos em local seco, arejado e fora do alcance de crianças. Nunca exponha os frascos ao sol direto nem os deixe em ambientes úmidos, como banheiros.
  • Não utilize medicamentos vencidos. Verifique sempre a data de validade antes do uso.
  • Não administre vários comprimidos de uma vez, mesmo em casos de esquecimento. A automedicação ou a compensação de doses perdidas pode causar intoxicações ou reações adversas graves.
  • Adapte a forma de administração em caso de dificuldades: caso a pessoa autista tenha problemas para engolir comprimidos ou rejeite o sabor e a textura do medicamento, converse com o médico sobre a possibilidade de utilizar formulações em gotas, líquidos ou manipuladas.
  • Conte com apoio de profissionais de saúde e cuidadores. Dificuldades motoras, sensoriais ou cognitivas podem interferir na adesão ao tratamento, sendo importante o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

Atenção! Qualquer alteração no comportamento, efeitos colaterais como sonolência excessiva, agitação, distúrbios gastrointestinais ou reações alérgicas devem ser imediatamente comunicados ao médico que acompanha o caso. Somente o profissional pode avaliar a necessidade de ajustar a medicação ou buscar alternativas terapêuticas mais adequadas.

Referências:

Pioneiro no uso de organoides cerebrais para estudar o autismo, o cientista brasileiro Alysson Muotri acredita que a ciência está prestes a alcançar um marco tão impressionante quanto controverso: “A gente vai ter um cérebro humano em laboratório. É inevitável”, afirmou ele em entrevista ao jornal O Globo, que ganhou destaque de uma página inteira na edição deste domingo, 27.jul.2025. A declaração resume o ponto central de sua pesquisa, que alia biologia, tecnologia e até viagens espaciais para entender o funcionamento e o envelhecimento dos neurônios humanos.

Muotri, professor na Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), ficou conhecido mundialmente por enviar minicérebros — esferas tridimensionais de neurônios — ao espaço, em parceria com a agência espacial norte-americana Nasa. Agora, ele se prepara para realizar os experimentos pessoalmente na Estação Espacial Internacional. O objetivo: entender como a microgravidade afeta o envelhecimento neural, informação essencial para missões espaciais de longa duração e também para criar modelos de estudo sobre Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas.

Medicamento

Mas a missão ainda depende de entraves políticos e financeiros, como o impasse entre Donald Trump e Elon Musk, que pode afetar a participação da SpaceX nos projetos da Nasa. Enquanto isso, o cientista celebra conquistas práticas: sua linha de pesquisa com células reprogramadas levou à criação de um medicamento aprovado nos EUA para a síndrome de Rett, uma forma de autismo. “A droga está sendo usada por mais de mil famílias aqui nos Estados Unidos”, destacou.

Para ler a íntegra da entrevista, que foi publicada no jornal O Globo, acesse: “‘A ciência vai criar um cérebro humano em laboratório’, diz cientista brasileiro“.

Na conversa com o jornal, Muotri também abordou temas éticos e futuros possíveis, como a criação de regras para lidar com organoides com algum nível de consciência, o uso de cérebros orgânicos como computadores — a chamada inteligência organoide — e até a remota hipótese de fazer upload de memórias humanas. Para ele, essa revolução está apenas começando.

UOL ViverBem

A coluna ViverBem, do UOL, também destacou o trabalho do Dr. Muotri nesta segunda-feira (28), na reportagem “Brasileiro leva minicérebros ao espaço para estudar autismo e Alzheimer“, que apareceu na capa do UOL.

O atendimento inclusivo às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige mais do que preparo técnico: requer sensibilidade, empatia e disposição para enxergar o ser humano além do diagnóstico. Veja abaixo algumas dicas de como promover um atendimento inclusivo:

Compreenda o TEA

O transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades. Essas são algumas características da pessoa austista, porém, é de suma importância entender que cada indivíduo é único, e as manifestações do transtorno podem variar significativamente de pessoa para pessoa.

Comunicação Inclusiva

Diante disso, é necessário que o profissional entenda a necessidade de cada pessoa com TEA, e crie formas de comunicação inclusivas e únicas, que tenham como objetivo incluir e acolher para que o atendimento seja o mais confortável possível e atinja os objetivos construídos pelo profissional de forma respeitosa e holística. 

A comunicação deve ser clara, simples e objetiva, (devem ser evitadas frases grandes, complexas e sem sentido que dê muitas voltas) sem duplo sentido e ironias (frases com duplo sentido e irônicas podem causar desconforto e confusão). É  indispensável  que o profissional saiba escutar de forma ativa permitindo que o raciocínio seja concluído sem intromissões. 

Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA):

A CAA engloba diversas ferramentas e estratégias para auxiliar pessoas com dificuldades na comunicação verbal (dificuldades de falar, ou compreender a linguagem verbal). Isso pode incluir o uso de dispositivos eletrônicos, aplicativos e sistemas de símbolos visuais.

  • Símbolos visuais: como imagens, fotos e desenhos. 
  • Dispositivos de alta tecnologia: como pranchas de comunicação com saída de voz. 
  • Sinais manuais e linguagem corporal: para complementar ou substituir a fala. 
  • Outros métodos: como escrita, mensagens de texto e qualquer outra forma de comunicação que não seja a fala.

Atenção humanizada

Estar atento aos gatilhos de estresse e reconhecer as preferências do paciente. Utilizar os hiper focos do paciente a favor de um atendimento mais humano. O cuidado deve ser personalizado, holístico e atento ao tempo de cada indivíduo, reconhecendo que empatia, paciência e previsibilidade são ingredientes-chave para construir um ambiente seguro.

A equipe de saúde deve se aproximar da pessoa com TEA com calma e presença, oferecendo escolhas, respeitando seus limites sensoriais e emocionais, e evitando condutas invasivas. Demonstrar de forma clara os procedimentos e equipamentos podem reduzir a ansiedade e facilitar o cuidado.

O vínculo de confiança nasce da combinação entre competência técnica e um olhar humano.

Capacitação da Equipe

A busca constante por conhecimento é uma das principais qualidades de um bom profissional. Vivemos em um mundo em constante transformação, e, nesse cenário, manter-se atualizado sobre o Espectro Autista e as práticas inclusivas é fundamental. Investir em capacitação garante não apenas um atendimento mais eficiente, mas também um profissional humano e respeitoso.

Garanta a presença de acompanhantes durante todo o processo. Ter uma figura conhecida ao lado durante o atendimento proporciona conforto, acolhimento e segurança. Essa presença contribui para que o atendimento ocorra de forma mais tranquila e humanizada, ajudando a reduzir o estresse e a ansiedade da pessoa atendida. 

Atualmente, já se tem conhecimento que a alimentação adequada é fundamental para a manutenção da saúde física e mental em todas as fases da vida. Uma dieta equilibrada fornece nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo, favorece o crescimento e desenvolvimento, fortalece o sistema imunológico, previne doenças crônicas não transmissíveis (como diabetes, obesidade e hipertensão) e contribui para a qualidade de vida.

Em pacientes que estão dentro do Espectro do Transtorno Autista (TEA), a alimentação também tem um papel crucial. Esses pacientes costumam apresentar seletividade alimentar e resistência à introdução de novos alimentos. Além disso, vale ressaltar que o alto consumo de determinados alimentos  geram impactos comportamentais, como agitação, irritabilidade, falta de atenção e energia. Veja alguns exemplos abaixo:

  • Consumo excessivo de açúcar (doces, pães e massas): gera picos de glicose no sangue, seguidos de quedas rápidas = mudança brusca de humor, agitação, ansiedade e comportamento impulsivo.
  • Alimentação pobre em frutas, legumes e verduras: leva a deficiência de micronutrientes que podem gerar:
    • Deficiência de ferro (anemia): apatia;
    • Deficiência de magnésio: acentua ou causa insônia e ansiedade.

Por isso, é tão importante estabelecer uma rotina alimentar equilibrada e que os alimentos oferecidos sejam ricos nutricionalmente, contendo boas fontes de gorduras, o consumo regular de frutas, verduras e legumes, e baixo consumo de alimentos ricos em carboidratos. Uma alimentação balanceada pode auxiliar nas questões comportamentais, evitar carências nutricionais e doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade. 

Referências:

Um estudo publicado nesta semana na revista Nature Genetics identificou quatro subtipos bem definidos dentro do espectro do autismo, cada um com características clínicas próprias, padrões genéticos específicos e trajetórias distintas de desenvolvimento. Os autores analisaram dados de 5.392 crianças autistas e 1.972 irmãos não autistas, todos nos Estados Unidos, além de replicar os achados em outra amostra com 861 autistas. Combinando avaliações comportamentais detalhadas e sequenciamento genético, os cientistas propõem uma nova forma de olhar para o transtorno do espectro do autismo (TEA): não como uma única condição com intensidades variadas, mas como um conjunto de perfis diferentes que coexistem sob o mesmo diagnóstico.

Ao invés de focar apenas nos sintomas clássicos do TEA  — como dificuldades de interação social e comportamentos repetitivos —, os pesquisadores adotaram uma abordagem centrada na pessoa, considerando também atrasos no desenvolvimento, comorbidades como TDAH, depressão, deficiência intelectual, e o histórico familiar. A partir disso, utilizaram um modelo matemático avançado de machine learning, chamado GFMM (em inglês, general finite mixture model), que agrupa indivíduos com base em semelhanças e características clínicas — e não nos critérios tradicionais já estabelecidos.

Para o geneticista molecular Diogo Ventura Lovato, professor da PUC-Campinas, esse é um dos estudos mais relevantes deste ano. “Ao utilizar dados clínicos e genéticos de alta qualidade associados à mais moderna ciência de dados, os pesquisadores desse trabalho deram um passo extremamente importante para o futuro do TEA. Quem conhece pessoas com diagnóstico de TEA, sabem quão diferentes elas são umas das outras e como isso é um problema para o diagnóstico e perspectivas terapêuticas. Até o momento, a genética clínica consegue auxiliar apenas uma parcela dos indivíduos com TEA, na sua maioria, de casos graves que apresentam deficiência intelectual e outras comorbidades. Nesse estudo, foi possível entender melhor todos os grupos de autistas e como eles são diferentes clinicamente, numa associação holística e não de algumas características isoladas, com a genética. Foi um passo importante que eles deram para que todos nós possamos sonhar em breve com uma melhoria significativa no que chamamos de medicina de precisão genômica para o TEA”, destacou Lovato, que é biomédico, doutor em biologia molecular e especialista na genética do autismo.

Quatro perfis

O resultado surpreendeu até os próprios autores: os dados apontam com clareza para a existência de quatro grandes perfis de autismo, cada um com combinações únicas de desafios e com alterações genéticas distintas. Algumas crianças tinham mutações raras de alto impacto; outras, uma soma de variantes genéticas herdadas de menor impacto isolado, mas ainda significativas quando somadas em um único indivíduo. Cada perfil também estava associado a um momento diferente da expressão gênica no cérebro em desenvolvimento, em relação ao tempo de vida — como se o “retrato” de cada criança estivesse sendo esculpido por caminhos biológicos próprios desde o início da vida.

Embora esses perfis ainda não substituam os níveis de suporte da quinta versão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), o estudo propõe uma evolução: somar às atuais classificações uma camada mais rica de informação, que permita planejar melhor os apoios, prever comorbidades e até personalizar terapias. “No futuro, talvez possamos dizer que uma pessoa é autista nível 1 de suporte, perfil misto com atraso no desenvolvimento”, sugere a equipe, no artigo científico. Essa combinação de dados clínicos e genéticos, segundo os autores, pode transformar a forma como se pensa o cuidado com pessoas autistas.

Subtipos de autismo

Veja a seguir os quatro subtipos de autismo identificados no estudo, com suas principais características e a proporção que cada um representa entre as crianças autistas analisadas, além do percentual da população identificada com cada subtipo no estudo:

  • Perfil social e comportamental (37% da população estudada)
    Crianças com grandes dificuldades em interações sociais, comunicação e comportamentos repetitivos. Apresentam também altos índices de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e ansiedade, mas sem atrasos no desenvolvimento inicial da linguagem ou da motricidade.
  • Perfil misto com atraso no desenvolvimento (19% da população estudada)
    Crianças que tiveram atrasos para andar, falar e se desenvolver. Também apresentam autismo, mas com presença significativa de deficiência intelectual, transtornos motores e distúrbios de linguagem. Este perfil está associado a características  genéticas herdadas  combinadas a mutações espontâneas, quer dizer, que não estão presentes nos progenitores biológicos.
  • Perfil amplamente afetado (10% da população estudada)
    Crianças com muitos desafios combinados — sociais, cognitivos, emocionais e comportamentais — e maior número de diagnósticos associados, como epilepsia, TDAH e deficiência intelectual. São as que mais precisam de diferentes formas de intervenção e foram as que mais concentraram mutações genéticas de alto impacto clínico.
  • Perfil de desafios moderados (34% da população estudada)
    Crianças com sintomas mais leves ou moderados, com menos comorbidades. Desenvolveram linguagem e habilidades motoras dentro do esperado, mas têm traços de autismo que costumam aparecer mais claramente com o tempo, como na escola ou nas relações sociais.

Estudo publicado

O estudo completo, que foi publicado em 09.jul.2025, na revista científica Nature Genetics, pode ser conferido no PubMed, neste link, ou no site da Nature, com o título “Decomposition of phenotypic heterogeneity in autism reveals underlying genetic programs”.

(Publicado originalmente na site da Tismoo)